A noite em que meus irmãos voaram após Peter Pan

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A NOITE EM QUE MEUS IRMÃOS VOARAM APÓS ASSISTIR PETER PAN

Davi Lago

 

Em 1994, aos oito anos de idade, assisti com meus irmãos o desenho-Disney do Peter Pan. Depois da sessão, obviamente, tentamos voar. Misteriosamente, conseguimos.

 

Na verdade, apenas meus irmãos.

 

Para quem não lembra – ou não ficou sabendo – a fórmula para voar é simples: basta pensar em alguma coisa boa/bela/feliz, de preferência a melhor coisa que for capaz de imaginar, e receber sobre si uma pitada de pó de Pirlimpimpim, que é um tipo de areia dourada mágica da fada Sininho. Ou seja: Pensamentos bonitos + Pirlimpimpim = Capacidade de voar.

 

Era tarde, por volta de duas da manhã, então não me lembro se Sininho passou em nosso quarto. Faz muito tempo, não tenho como lembrar os detalhes[1]. Mas lembro daquilo que pensei para tentar voar. Esse é meu ponto: o que quero contar é sobre o que eu pensei para tentar voar aos oito anos. Disso, me lembro muito bem.

 

Lembro que tentei pensar na coisa mais bonita que eu fosse capaz, além de Deus. Então, tentei pensar no Céu, mas logo desisti. Evidentemente, não consigo imaginar como é o Céu.

 

Hoje, compreendo isso melhor, já que a própria Escritura diz que nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais adentrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam. Hoje, entendo que não temos capacidade sequer de imaginar como é o Céu. Cheguei a ler algo interessante sobre isso: o autor dizia: “imagine o Céu…”, para concluir em seguida: “… isso que você imaginou é, na realidade, mais parecido com o inferno do que com o Céu de verdade, porque o Céu verdadeiro está muito acima da nossa capacidade de imaginação”.

 

Pois bem, aos oito anos de idade reconheci minha absoluta incapacidade de imaginar o Paraíso. Então em que pensei para tentar voar?

 

Pensei no Salmo 23.

 

Naquela noite, primeiro meu irmão Lucas voou, ele tinha seis anos. Depois, foi a vez da minha irmã Priscila, que tinha apenas dois anos. Quando chegou a minha vez, comecei a pensar no Salmo 23 e perdi completamente a vontade de voar.

 

Preferi descansar ao som das águas tranquilas, deitado em verdes pastos, tendo minhas forças renovadas plenamente, sob o amor e a proteção de meu Pastor: DEUS.

 

Melhor que voar para a Terra do Nunca é habitar na Casa do Senhor para sempre.

 

Até hoje o lugar mais bonito que conheço é o Salmo 23.

 

O lugar mais bonito que consigo imaginar é o Salmo 23.

 

 

 

 

 

 

[1] Nota da irmã do autor: ao ler esse texto hoje (04/01/2016), lembrei de duas coisas importantíssimas. Primeiro: Sininho não passou em nosso quarto naquela noite. Segundo: como não tínhamos pó de Pirlimpimpim, usamos açúcar refinado. E deu certo.

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